Saudade - Ato I

Eu tenho saudades do que eu não vivi.
Minha alma é velha. 

Meus gostos são antigos. 
Meus valores são os mesmos dos meus avós. 
Tenho saudade das rodas de música, dos saraus que não participei. Do surgimento da bossa nova, do auge do sucesso do Chico, do Caetano, Elis e tantos outros que nos deixaram um tesouro inexistente nos dias de hoje.
Sou nostálgico em relação a sentimentos. Quando eles eram desprovidos de outros adjetivos que hoje sempre o acompanham. 
Amar vem junto de beleza e dinheiro. Ser amigo só se for acompanhado de várias vantagens. Fazer um favor? Só se tiver algum benefício em troca. Ser gentil, bondoso, cavalheiro? Pode esperar que deve ter algo horrível por trás disso.
Sinto vontade de voltar no tempo quando me lembro daquelas praças onde os jovens jogavam “bets” nas tardes de domingo. 
Os aspirantes a “chefes de famílias” caminhavam de um lado para outro enquanto as moças conversavam com as amigas...a conversa pouco importava, mas os olhares diziam tudo. Buscavam aquele certo olhar, que podiam remeter a um amor, a uma família e uma vida inteira juntos.
Saudosa época em que o respeito era respeitado. O respeito pela sabedoria dos mais velhos, pelos amigos. Respeito principalmente pelas pessoas que você não conhecia.

Saudade da époça
Em que a repressão era grande, mas a criatividade maior ainda. No tempo em que as injustiças sociais e políticas eram combatidas com letras incrivelmente inteligentes, com livros que nos faziam romancear, com atitudes que viraram história.

Quero o idealismo antigo, não utópico, não hipócrita que enfrentava as consequências porque a causa era nobre. Os heróis do passado eram gente comum que andava pelas ruas.

Eu nasci quando queria ter a idade de hoje. Eram épocas duras, difíceis, porém era tudo mais real, mais verdadeiro mais original. A juventude de hoje nada aprendeu com os jovens do passado, parece que tudo se perdeu...

Pensava-se antes de falar, de dançar, de escrever. As ações tinham uma explicação. Os sentimentos eram colocados para fora de uma forma racional porém não menos emocional.

Os amores eram mais ardentes, as histórias mais empolgantes, as revoltas mais surpreendentes, as pessoas mais humanas.

Saudade, muita saudade daquela época... que eu não vivi.

0 comentários:

Postar um comentário

 

Our sponsors

Recent tweets

Visitas

© 2011 Por Toda Minha Vida Design by CJB Info
In Collaboration with Tudo d BomCJB Info DescomplicadaGoogle