Contos
de fadas só ficam bem nos livros infantis.
Príncipes cedo ou tarde se
transformam em sapos.
Pode demorar o tempo que for, mas um dia a
realidade bate a nossa porta. Inevitavelmente.
Que nem só de boas intenções vivem as pessoas já estou cansada de saber.
Há tempos não caminho pelas ruas sem olhar para os lados, ou falo sem a
absoluta consciência de que cada palavrinha pode ser alterada e usada
contra mim. Mesmo assim, não paro de me surpreender com até que ponto os
desvios de caráter das pessoas podem chegar.
Não tenho a pretensão de que todos gostem de mim ou torçam pelo meu
sucesso. Tampouco preciso de reconhecimento ou confetes para ser feliz.
Você tem todo o direito de me achar uma ridícula, uma doida ou uma
garotinha sem graça alguma. Você pode pensar o que bem entender de mim.
Nada disso vai mudar o meu jeito de ser e agir.
No entanto, os seus limites terminam onde começam os meus. E eu não
exijo nada além de respeito. Você pode até torcer para eu cair com o
carão na calçada, levar um pé na bunda do meu namorado ou ser perseguida
por todos os professores da faculdade. Cada um é livre para pensar e
desejar o que bem entender. Você não pode é fazer com que coisas desse
tipo aconteçam de forma grotesca e desleal. Mentiras, intrigas e afins
só convencem em novelinhas de criança. Você já passou dessa fase, não?
Eu, ao menos, não suporto mais a idéia de interpretar a mocinha
injustiçada.
Tudo bem, eu confesso, ainda durmo esperando o Bom Velhinho e sempre
confiro as pegadas que o Coelho deixa aqui no meu quarto. Sei que meu
príncipe encantado está a caminho e não canso de viver e desejar as mais
mirabolantes fábulas. O detalhe é que a princesinha aqui acordou do
sono profundo e já está roxa de tanto cair do cavalo. Para tudo há um
limite, até para minha inocência.
O que me dá forças é a certeza de que tudo termina da melhor forma para
quem tem um coração repleto de sinceridade e boas intenções. Além de, é
claro, eu estar ciente de que para todo conto de fadas existe um final
feliz. Prefiro posar de inocente a deixar de acreditar que, apesar de
tudo, a vida é cheia de surpresas gostosas.


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